12 novembro 2005

Gripe da Aves

Porque as há...há.

Tube Shoes , pele e metal, 2005


Perch , metal e pele, 2005

Os objectos Bird People propoem espaços para libertar ansiedades e interagir com o meio urbano. Uma proposta de Eelkmoorer.

Com a gripe a pairar, se se quiser sentir inteiramente seguro temos uma proposta:




Vigilhome, projecto do designer francês Olivier Peyricot, é uma casa transportável e dobrável para sobreviventes paranóicos . Isola os seus ocupantes do exterior e assegura as necessidades básicas.Vigilhome tem, entre muitas coisas, pacotes de comida XL, caixas de ansióliticos, arpões e batedeira de ovos. Faz parte da exposição SAFE: Design Takes on Risk no New York Museum of Modern Art, de 16 de Outubro de 2005 a 2 de Janeiro de 2006.



Vigilhome seria a casa ideal para Carol White, uma dona de casa de Los Angeles que em Safe leva uma vida aparentemente perfeita ao lado do marido e do filho, até ao momento em que descobre ser portadora de uma doença misteriosa. Sem encontrar respostas na medicina tradicional, procura tratamento num grupo que promete a cura através do isolamento social numa comunidade alternativa. O filme termina com ela muito mais debilitada a viver num igloo.

28 comentários:

Anónimo disse...

"Influenza"...que o/a merdinhas andou doente. Já deve estar melhor!

Abraço anónimo

Anónimo disse...

Quantos anos você vai sobreviver?
Será que quer saber?

coolme disse...

ALERTA À POPULAÇÃO
DEVIDO AO PROVÁVEL SURTO DE GRIPE DAS AVES, AVISA-SE A POPULAÇÃO DE QUE SE DEVEM DEITAR O MAIS TARDE POSSIVEL.

NUNCA, MAS NUNCA, SE DEITEM COM AS GALINHAS !!!!!!

Bota sentença disse...

Tudo isso nada mais é do que uma sobrevivência supersticiosa dos tempos pestíferos. Resulta, a paranóia actual, da lembrança que a bubônica e o cólera ainda exerce sobre o imaginário dos europeus. Petrarca, que escapou da morte negra, perplexo com o que a sua geração passara naqueles anos trágicos, temeu que os relatos dos testemunhos do que ocorrera fossem vistos no futuro como uma fábula. O que ele não supôs é que, apesar das pandemias e das mortes hoje não ocorrerem da mesma maneira (hoje há muitos tratamentos...e há continentes priviligiados), o pavor às pestes ainda continuaria a assustar os homens do Velho Mundo mesmo no século XXI. Hoje sim, como fábula.
Bom poleiro esse do post.Boa vista!

Jazzie disse...

Wada ventures off to China to investigate a potential Jade mine. There, he encounters a somewhat sentimental yakuza who joins the adventure through China with him. They are led to the mine by Shen and as their journey goes deeper, they find something even more magical than mine they are searching for: village people who claim they can fly.
http://www.cinemaeye.com/index/reviews/rev_more/bird_people_in_china_r0_dvd_artsmagic_dvd_2005/

Anónimo disse...

Ó Jazzie, os Village People sempre souberam voar! "Macho, macho man". Eric, Alex, Felipe, David, Ray, Jeff.
http://www.officialvillagepeople.com/

Anónimo disse...

Wanted: Procurado I
Mini série em três edições, formato americano, 52 páginas.


A série de Mark Miller, com J. G. Jones Paul Mounts. Wesley Gibson vive em resignado desespero. Seu emprego sem perspectivas o entorpece, a namorada trai-o. A sua hipocondria convence-o de que é vítima de todas as doenças possíveis, desde a mais mundana gripe até o pior dos cancros. Porém, um novo mundo espera-o. Uma súbita e cruel realidade capaz de remodelar todo o seu destino.Tudo num só instante de um dia fatídico O dia em que ele se torna... procurado!

Eu li, é engraçado.

J.Xic

paranoic disse...

paranoia

paranoia is a good
paranoia is a
paranoia is faith in a hidden order behind the visible
paranoia is rampant
paranoia is showing
paranoia is the name of the game looking across to cuba
paranoia is the belief in a hidden order behind the visible
paranoia is the serious business of heaven
paranoia is just reality at a higher
paranoia is half the fun
paranoia is okay
paranoia is an over sensitivity to criticism
paranoia is goed
paranoia is real
paranoia is a catalyst for addiction
paranoia is palpable
paranoia is a good thing by drew bird
paranoia is showing james parshall
paranoia is the mind at work
paranoia is a 64
paranoia is good by peter jahn
paranoia is just reality at a higher resolution
paranoia is destructive
paranoia is once again kicking in
paranoia is also recognized as a common side effect of various chemicals that affect the brain
paranoia is not an obscure mental state afflicting some individuals but a widespread condition of modern societies
paranoia is a dish best served cold
paranoia is right
paranoia is all about
paranoia is a roleplaying game with a difference
paranoia is a range
paranoia is to be expected whenever an activist goes public with a concern that isn't already familiar to
paranoia is connected to the following things
paranoia is connected to because
paranoia is dead
paranoia is a cross
paranoia is in the air
paranoia is a psychological condition in which the sufferer is under the delusion that people
paranoia is good
paranoia is the story of a mental health orderly's involvement with conspiracy theories and his consequential development into a
paranoia is wonderful rpg
paranoia is a healthy state of mind
paranoia is patriotic two national institutions go to the mat to protect american life as we know it
paranoia is a very isolating condition
paranoia is a bad thing
paranoia is a word that has a daily use and has long gone out of the frames of the specialized terminology
paranoia is a catalyst for addiction at a glance
paranoia is available in bookstores and for on
paranoia is not one of those
paranoia is used between known
paranoia is a suite of
paranoia is todays kind of music
paranoia is sweeping america’ by skruff
paranoia is an unfounded or exaggerated distrust of others
paranoia is the condition one reaches when he/she gets over artificial security; realizing the harsh reality that
paranoia is total awareness
paranoia is typically known to be a type of paralysis
paranoia is understandable
paranoia is a complex
paranoia is rampant in today's society
paranoia is not an illness
paranoia is self
paranoia is no protection from persecution
paranoia is perfect awareness
paranoia is a term used by mental health specialists to describe suspiciousness
paranoia is set in the far future
paranoia is the abject terror of outside forces that may trigger emotional responses of inferiority and humiliation
paranoia is as integral a part of modern american culture as mcdonald's
paranoia is a lot easier
paranoia is a perception that people are talking about you and spying on you
paranoia is the bunker mentality by clive mathieson
paranoia is a tendency to see personal threats where none exist or to overreact to actual threats beyond the bounds that reason would dictate
paranoia is a syndrome in which a person thinks or believes
paranoia is a roleplaying game set in a darkly humorous future
paranoia is a serious psychiatric diagnosis
paranoia is a virtue

Naked Lunch disse...

O filme chega a ser assustador. Muito bom.

Anónimo disse...

A sida não é propriamente uma fábula. Já matou que se fartou. E serve para muitos puritanismos. Assim como o terrorismo, que é mesmo real, mas serve à medida de certos governos que querem controlar tudo e toda a gente. Para a gripe das aves ainda não arranjaram nenhuma justificação moralista ou securitária para atingirem os objectivos do costume. Falta de imaginação. Mas não deve faltar muito.
Marlon

Anónimo disse...

Confabulações. Mas não precisam ir mais longe porque este post é a caricatura do que acontece por aí. Em nome da segurança as carapaças blindadas, as comunidades blindadas...a perda de identidade...Londres desistiu da liberdade de movimentação...os franceses sempre simularam o que não são...e agora claudicam todos.

Anónimo disse...

Pelos blogs associados a este o/a Merdinhas é uma Pandora ou um Pandoro... Mas mais uma vez se esquivou. O apelido é revelador. Duplamente anónimo. Será um daqueles bird people que vi no poste? O seu Blog é a caixa de Pandora?

Anónimo disse...

Não há nada mais complicado do que perceber medos que não partilhamos.
Isabel Stilwell

amie disse...

obrigada pela sugestão da 'alice', por acaso sempre tive livros daqueles e gosto muito!
cuidado com as aves!

BlogProwler disse...

"Safe" foi uma experiência estranhamente isolada à data da sua exibição: a moda era a "violence chic" dos Cohen ao Tarentino. Em "Safe" não se passava nada, dolorosamente nada: na alta burguesia da fútil L.A. adensava-se um mal provavelmente imaginário. No mais perfeito dos quotidianos. Os enquadramentos cuidados, virados para dentro eram, no entanto, ligeiramente, só muito ligeiramente, quase imperceptivelmente, descentrados. Imperceptível mal-estar. No fim da década surgia a prole de "Safe", explorando a calma dos subúrbios burgueses onde a tensão não gera acrobacias de Kung-Fu: "American Beauty", "Magnolia" foram os mais notados. O "Elephant", já outra coisa, o mais recente: mal banal e complexo que escapa a todas as explicações (as armas, os jogos de computador, a organização dos liceus) e se apresenta comovente e belo.

Anónimo disse...

Amiguinhos: já viram os sapatos de Eelko Moorer no link do título? O máximo. Obrigada, Merdinhas!

Anónimo disse...

[...] o capitalismo tem, só por si, um tal poder de desrealizar os objectos habituais, os papéis da vida social e as instituições, que as representações ditas "realistas" já só podem evocar a realidade sob a forma da nostalgia ou da paródia.
Quem o disse quem foi? Ai estes posts modernos....
Ken

Anónimo disse...

A resposta é (ai esta mania pequeno burguesa dos concursos...): Lyotard - de facto, em "A Condição Pós-Moderna", mas seguindo uma longa tradição marxista , desde o Karl (tudo menos pós-moderno), ele mesmo, passando por Benjamin. Observação pertinente, com uma tradução mázita, a partir do inglês, diria eu.

Anónimo disse...

E Lyotard continua:
"Este realismo do "vale tudo" é, na realidade, o do dinheiro; na ausência de critérios estéticos, mantém-se possível e útil estabelecer o valor das obras de arte de acordo com os lucros que geram. Tal realismo acomoda todas as tendências, assim como o capital acomoda toda as "necessidades", desde que as tendências e as necessidades tenham poder de compra".
O perigo é ler isto da maneira reaccionária e descartar os radicalismos artísticos como macaquices geradas pelo capitalismo. A virtude é perceber que querer estabelecer "valor" para as obras de arte, uma hierarquia de "qualidade" não serve para nada, a não ser para lá pendurar a etiqueta com o preço. O que não significa não julgar: mas que o julgamento é temporario e pessoal. Agora gosto ou não gosto, interesso-me ou não.

Anónimo disse...

Caro anónimo
A resposta está obviamente certa.
Teria ganho um excelente livro se gostasse de concursos.Pena é que não goste e não se interesse(?) mas responda em vez de ignorar.

Anónimo disse...

É que pessoas que adoptam o tipo de técnicas que o caro anónimo Ken adopta, frequentemente vangloriam-se da ignorância daqueles a quem se dirigiram, por, precisamente, ter sido deixado um espaço vazio, o tal do "ignorar". Em resumo: apeteceu-me.
E "pena é" porquê? Pediu uma resposta e teve-a. Porque é que, agora, está com pena? O que é que falhou na sua acção e lhe provoca pena? E, já agora, porque é que não partilhou a informação que tinha sem pedir nada em troca, colocando-a, completa, à disposição de todos? Diversão, jogo: tudo bem, jogámo-lo os dois. Onde é que está a "pena"?

Anónimo disse...

A anatomia de um silêncio...

Em Portugal não se investiga, insinua-se, em Portugal nunca há factos apenas suspeitas, também nunca há inocentes, apenas quem não foi declarado culpado.

Joaquim Vieira, jornalista conceituado, que dispensa apresentações, ex-número dois do Expresso, tem publicado na Grande Reportagem uma série de textos bastante ácidos sobre Mário Soares. Ora a Grande Reportagem, distribuída semanalmente com o JN e DN, não é exactamente um qualquer pasquim ao nível d' O Crime, do Semanário ou um qualquer jornal de vão de escada, pelo que as reflexões de Joaquim Vieira mereceriam outra atenção.

Atente-se pois no que diz Vieira, que cita profusamente um livro – real, publicado – de Rui Mateus, personagem também real, numa série de artigos sugestivamente intitulada "O Polvo"...


**/Parte 1 /***/
**publicado a 3 de Setembro de 2005, na Grande Reportagem nº 243. **
/*/
Além da brigada do reumático que é agora a sua comissão, outra faceta distingue a candidatura de Mário Soares a Belém das anteriores: surge após a edição de Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido, do seu ex-companheiro de partido Rui Mateus.

O livro, que noutra democracia europeia daria escândalo e inquérito judicial, veio a público nos últimos meses do segundo mandato presidencial de Soares e foi ignorado pelos poderes da República. Em síntese, que diz Mateus? Que, após ganhar as primeiras presidenciais, 1986, Soares fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar os fundos financeiros remanescentes da campanha. Que a esse grupo competia canalizar apoios monetários antes dirigidos ao PS, tanto mais que Soares detestava quem lhe sucedeu no partido, Vítor Constâncio (um anti-soarista), e procurava uma dócil alternativa a essa liderança.

Que um dos objectivos da recolha de dinheiros era para financiar a reeleição de Soares. Que, não podendo presidir ao grupo por razões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro, embora reunisse amiúde com eles para orientar a estratégia das empresas, tanto em Belém como nas suas residências particulares. Que, no exercício do seu "magistério de influência" (palavras suas noutro contexto), convocou alguns magnatas internacionais – Rupert Murdoch, Sílvio Berlusconi, Robert Maxwell e Stanley Ho – para o visitarem na Presidência da República e se associarem ao grupo, a troco de avultadas quantias que pagariam para facilitação dos seus investimentos em Portugal.

Note-se que o "Presidente de todos os portugueses" não convidou os empresários a investir na economia nacional, mas apenas no seu grupo, apesar dos contribuintes suportarem despesas de estada. Que moral tem um país para criticar Avelino Ferreira Torres, Isaltino Morais, Valentim Loureiro ou Fátima Felgueiras se acha normal uma candidatura presidencial manchada por estas revelações? E que foi feito dos negócios do Presidente Soares? Pela relevância do tema, ficará para próximo desenvolvimento.

**Parte 2 ***
**publicado a 10 de Setembro de 2005, na Grande Reportagem nº 244. **
*
A rede de negócios que Soares dirigiu enquanto Presidente foi sedeada na empresa Emaudio, agrupando um núcleo de próximos seus, dos quais António Almeida Santos, eterna ponte entre política e vida económica, Carlos Melancia, seu ex-ministro, e o próprio filho, João. A figura central era Rui Mateus, que detinha 60 mil acções da Fundação de Relações Internacionais (subtraída por Soares à influência do PS após abandonar a sua liderança), as quais eram do Presidente mas de que fizera o outro fiel depositário na sua permanência em Belém – relata Mateus em Contos Proibidos.

Soares controlaria assim a Emaudio pelo seu principal testa-de-ferro no grupo empresarial. Diz Mateus que o Presidente queria investir nos media: daí o convite inicial para Sílvio Berlusconi (o grande senhor da TV italiana, mas ainda longe de conquistar o governo) visitar Belém. Acordou-se a sua entrada com 40% numa empresa em que o grupo de Soares reteria o resto, mas tudo se gorou por divergências no investimento. Soares tentou então a sorte com Rupert Murdoch, que chegou a Lisboa munido de um memorando interno sobre a associação a "amigos íntimos e apoiantes do Presidente Soares", com vista a "garantir o controlo de interesses nos média favoráveis ao Presidente Soares e, assumimos, apoiar a sua reeleição". Interpôs-se porém outro magnata, Robert Maxwell, arqui-rival de Murdoch, que invocou em Belém credenciais socialistas. Soares daria ordem para se fazer o negócio com este. O empresário inglês passou a enviar à Emaudio 30 mil euros mensais. Apesar de os projectos tardarem, a equipa de Soares garantira o seu "mensalão".

Só há quatro anos foi criminalizado o tráfico de influências em Portugal, com a adesão à Convenção Penal Europeia contra a Corrupção. Mas a ética política é um valor permanente, e as suas violações não prescrevem. Daí a actualidade destes factos, com a recandidatura de Soares. O então Presidente ficaria aliás nervoso com a entrada em cena das autoridades judiciais – episódio a merecer análise própria.

**Parte 3 ***
**publicado a 17 de Setembro de 2005, na Grande Reportagem nº 245. **
*
A empresa Emaudio, dirigida na sombra pelo Presidente Soares, arrancou pouco após a sua eleição e, segundo Rui Mateus em Contos Proibidos, contava "com muitas dezenas de milhares de contos "oferecidos" por (Robert) Maxwell (…), consideráveis valores oriundos do "ex-MASP" e uma importante contribuição de uma empresa próxima de Almeida Santos." Ao nomear governador de Macau um homem da Emaudio, Carlos Melancia, Soares permite juntar no território administração pública e negócios privados. Acena-se a Maxwell a entrega da estação pública de TV local, com a promessa de fabulosas receitas publicitárias. Mas, face a dificuldades técnicas, o inglês, tido por Mateus como "um dos grandes vigaristas internacionais", recua.

O esquema vem a público, e Soares acusa os gestores da Emaudio de lhe causarem perda de popularidade, anuncia-lhes alterações ao projecto e exige a Mateus as acções de que é depositário e permitem controlar a empresa. O testa-de-ferro, fiel soarista, será cilindrado – tal como há semanas sucedeu noutro contexto a Manuel Alegre. Mas antes resiste, recusando devolver as acções e esperando a reformulação do negócio. E, quando uma empresa reclama por não ter contrapartida dos 50 mil contos (250 mil euros) pagos para obter um contrato na construção do novo aeroporto de Macau, Mateus propõe o envio do fax a Melancia exigindo a devolução da verba.

O Governador cala-se. Almeida Santos leva a mensagem a Soares, que também se cala. Então Mateus dá o documento a'O Independente, daqui nascendo o "escândalo do fax de Macau". Em plena visita de Estado a Marrocos, ao saber que o Ministério Público está a revistar a sede da Emaudio, o Presidente envia de urgência a Lisboa Almeida Santos (membro da sua comitiva) para minimizar os estragos. Mas o processo é inevitável. Se Melancia acaba absolvido, Mateus e colegas são condenados como corruptores. Uma das revelações mais curiosas do seu livro é que o suborno (sob o eufemismo de "dádiva pública") não se destinou de facto a Melancia mas "à Emaudio ou a quem o Presidente da República decidisse". Quem afinal devia ser réu? /


Os factos nem parecem muito difíceis de confirmar, ou desmentir, e no entanto é mais fácil - mais confortável - ignorá-los, não se confia na justiça ou porque não se acredita que funcione em tempo útil, ou por que se tem medo que funcione, em vida, e as dúvidas, os boatos, os rumores, a 'fama' persistem. E é assim, passo a passo, que lentamente se vai destruindo de vez a confiança dos portugueses nas instituições. Por incúria, por medo, por desleixo, até por arrogância, porventura de fantasmas e até... da própria sombra.

N.A. Como adenda, e perdoem-me o sarcasmo que é preciso por as coisas no seu devido lugar, talvez conviesse meditar no generoso silêncio dedicado ao conteúdo destes artigos de Vieira, e ao livro de Mateus, por parte de alguns dos e(ste)ticistas do regime quando comparado com a, também ela generosa, campanha em curso contra alguns 'antros' 'anónimos' de pensamento livre e desalinhado... Ou, será que as coisas já evoluiram tanto, tanto, que agora só existem depois de serem tratadas em blog ? É que a Grande Reportagem tem uma tiragem superior a 100 000 exemplares, nós ainda não... Entretanto, por essas e por outras, do Brasil até gozam... Como adenda suplementar convém frisar que o problema não é novo, ou sequer isolado, antes é estrutural e crónico. Atente-se na GALP e nas maravilhas que por lá se passa(ra)m. No mínimo, os factos - 'estranhos' - mereceriam uma investigação apurada, judicial e jornalística, no entanto...


**/O Polvo, Parte 4 /***/
**publicado a 24 de Setembro de 2005, na Grande Reportagem nº 246. **
/*/
por Joaquim Vieira.

Ao investigar o caso de corrupção na base do "fax de Macau", o Ministério Público entreviu a dimensão da rede dos negócios então dirigidos pelo Presidente Soares desde Belém. A investigação foi encabeçada por António Rodrigues Maximiano, Procurador-geral adjunto da República, que a dada altura se confrontou com a eventualidade de inquirir o próprio Soares.

Questão demasiado sensível, que Maximiano colocou ao então Procurador-geral da República, Narciso da Cunha Rodrigues. Dar esse passo era abrir a Caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do PS mas também do PSD – há quase uma década repartindo os governos entre si. A previsão era catastrófica: operação "mãos limpas" à italiana, colapso do regime, república dos Juízes.

Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros.

Entretanto, já Robert Maxwel abandonara a parceria com o grupo empresarial de Soares, explicando a decisão em carta ao próprio Presidente. Mas logo a seguir surge Stanley Ho a querer associar-se ao grupo soarista, intenção que segundo relata Rui Mateus em Contos Proibidos, o magnata dos casinos de Macau lhe comunica "após consulta ao Presidente da República, que ele sintomaticamente apelida de boss.

Só que Mateus cai em desgraça, e Ho negociará o seu apoio com o próprio Soares, durante uma "presidência aberta" que este efectua na Guarda. Acrescenta Mateus no livro que o grupo de Soares queria ligar-se a Ho e à Interfina (uma empresa portuguesa arregimentada por Almeida Santos) no gigantesco projecto de assoreamento e desenvolvimento urbanístico da baía da Praia Grande, em Macau, lançado ainda por Melancia, e onde estavam "previstos lucros de milhões de contos".

Com estas operações, esclarece ainda Mateus, o Presidente fortalecia uma nova instituição: a Fundação Mário Soares. Inverosímil? Nada foi desmentido pelos envolvidos, nem nunca será.

**O Polvo, Parte 5, conclusão ***
**publicado a 1 de Outubro de 2005, na Grande Reportagem nº 247. **
*
por Joaquim Vieira.

As revelações de Rui Mateus sobre os negócios do Presidente Soares, em Contos Proibidos, tiveram impacto político nulo e nenhuns efeitos. Em vez de investigar práticas porventura ílicitas de um Chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela "traição" a Soares (uma tese académica elaborada por Estrela Serrano, ex-assessora de imprensa em Belém, revelou as estratégias de sedução do Presidente sobre uma comunicação social que sempre o tratou com indulgência.)

Da parte dos soaristas, imperou a lei do silêncio: comentar o tema era dar o flanco a uma fragilidade imprevisível. Quando o livro saiu, a RTP procurou um dos visados para um frente-a-frente com Mateus – todos recusaram. A omertá mantém-se: o desejo dos apoiantes de Soares é varrer para debaixo do tapete esta história (i)moral da III República, e o próprio, se interrogado sobre o assunto, dirá que não fala sobre minudências, mas sobre os grandes problemas da Nação.

Com a questão esquecida, Soares terminou em glória uma histórica carreira política, mas o anúncio da sua recandidatura veio acordar velhos fantasmas. O mandatário, Vasco Vieira de Almeida, foi o autor do acordo entre a Emaudio e Robert Maxwell. Na cerimónia do Altis, viram-se figuras centrais dos negócios soaristas, como Almeida Santos ou Ílidio Pinho, que o Presidente fizera aliar a Maxwell. Dos notáveis próximos da candidatura do "pai da pátria", há também homens da administração de Macau sob a tutela de Soares, como António Vitorino e Jorge Coelho, actuais eminências pardas do PS, ou Carlos Monjardino, conselheiro para a gestão dos fundos soaristas e presidente de uma fundação formada com os dinheiros de Stanley Ho.

Outros ex-"macaenses" influentes são o ministro da Justiça Alberto Costa, que, como director do Gabinete da Justiça do território, interveio para minorar os estragos entre o soarismo e a Emaudio, ou o presidente da CGD por nomeação de Sócrates, que o Governador Melancia pôs à frente das obras do aeroporto de Macau.

Será o Polvo apenas uma teoria de conspiração?
/

E depois, Macau, sempre Macau.

2005-10-27 - 02:45:00
Joaquim Vieira despedido



*Joaquim Vieira, director da 'Grande Reportagem', detida pelo grupo Controlinveste, foi ontem despedido.*
O jornalista, que terá de sair até sexta-feira, foi, igualmente, informado de que a revista será fechada até Dezembro. As razões de tais medidas são desconhecidas.

*Recorde-se que Vieira tem vindo a escrever sobre o polémico livro de Rui Mateus, onde se aludia a ligações do PS de Soares ao caso Emáudio. *

Anónimo disse...

churrilho de chatos!

Anónimo disse...

Macau e a gripe das aves?!
Não percebo como é que encaixa esse comentário aqui....pela geografia? Pelo contágio da corrupção? Pela pandemia verbal do comentador? Que a história é de relatar é.
Quem fala em churrilho de chatos? Não quer explicar melhor onde está a chatice?
J.C.O.

Anónimo disse...

O livro serve só para denegrir Mário Soares por este o ter abandonado neste processo e denegrir um certo juiz pela condução que fez do processo. E fê-lo antes do julgamento, o que mostra alguma coragem.
Agora que Mário Soares é candidato a PR, o livro serve sobretudo para incentivar amigos e simpatizantes de Cavaco Silva...querem-no na presidência?

ATchim.....até dá alergia!!!!

Coolme disse...

Pois eu acredito que a gripe e a politica estão ligadas. Como tudo. Mas a intesecção entre os movimentos da natureza e os políticos tem consequências, como aconteceu com o impacto do furacão Katrina para o governo de George W. Bush.

BlogProwler disse...

Santinha/o!
Também não gosto do Cavaco (há um site giro sobre isso: http://stopcavaco.blogspot.com/), mas o mecanismo de colocar na presidência um opositor de raiz do partido do governo parece-me que tem funcionado. Quem não votará em nenhum dos medíocres que se apresentaram, do escrivinhador chato ao vampírico economista, é o tipo atrás deste "username".
Mas, agora, o Soares: abomino-o, a ele, à moralista armada em Senhora da mulherzinha Barroso (fascista descarada), ao filho Soares e aos sobrinhos Barroso, uma mafia por si só (e enchem jornais e botam opinião e movem influências...). Os casos que têm circulado, relatados por Mateus e recontados por Vieira, circulam em proveito de Cavaco - é certo. Mas são suficientemente graves para deverem continuar a circular: para que nenhuma das prepotências fique impune. O Joaquim Vieira foi mesmo despedido? E porquê? Isto não pode ficar silenciado: senão é como os manos Pedroso, qualquer dia estão os Soares a levar alguém ou alguma coisa a tribunal.
A Mafia P.S. foi forjada na clandestinidade anti-salazarista, continuou na luta contra o P.C.P. e prolonga-se na gestão dos privilégios que a democracia portuguesa, a Europa e as ligações africanas lhes conseguiram... Novas movimentações políticas e cívicas são urgentes (os independentes nas últimas autárquicas prometem).

Anónimo disse...

Estive a ler comentários ao post sobre os acontecimentos em França. Há um bocado que se aplica aqui....Nous affirmons qu’il y a là une véritable urgence nationale : il faut substituer à l’état d’urgence policier un état d’urgence sociale, afin que les actes des gouvernants cessent de contredire la devise de la République.
Nós também precisamos de um Estado de urgência Nacional mas geral. Apelo ao NÃO VOTO.
J. S.