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27 janeiro 2012

02 abril 2008

Graffiti, Lisboa, 2007

‘Pierre Cabanne - Também disse que o artista é inconsciente em relação ao significado real da sua obra, e que o espectador deve sempre participar numa criação suplementar, interpretando-a.

Marcel Duchamp - Porque considero, com efeito, que um homem, um génio qualquer, que habite no coração da África e produza todos os dias quadros extraordinários, sem que ninguém os veja, não existe. [...] Você não acredita que o papel do espectador tem certa importância?’

Pg.109/110 [‘Gosto mais de respirar do que trabalhar’] em ‘Marcel Duchamp - Engenheiro do tempo perdido (Entrevistas com Pierre Cabanne)’ 2ª Edição Assírio & Alvim 2002


Este excerto foi furtado aqui

28 janeiro 2008

Descendo escadas

Eadweard Muybridge, "Descending stairs and turning around", 1884-85


Marcel Duchamp, Nu descendant un escalier nº 2, 1912


Eliot Eliofson, Duchamp descending a staircase, photograph from Life Magazine (1952)


Hans Richter, "Dreams That Money Can Buy" , 1947


Bill watterson, Calvin and Hobbes

15 fevereiro 2007

P'ro futuro


César Figueiredo, Fevereiro de 2007


Hans Richter, extracto de "8x8: A Chess Sonata" em colaboração com Max Ernst, Jean Cocteau, Paul Bowles, Fernand Leger, Alexander Calder, Marcel Duchamp e outros, 1957

06 abril 2006

Duchamp na China


China - Between Past and Future
24.03.2006 - 14.05.2006



Cultural Memory
24.03.2006 - 26.03.2006 - Exposição retrospectiva de Duchamp na China, 2000/2001, óleo s/ tela de Shi Xinning.

28 dezembro 2005

Para Merce (Cunningham)

Fotografia de Mark Seliger


Dancers on a plane, 1980-1, Jasper Johns (1930 - )


Cenografia de Jasper John para o espectáculo de Merce Cunningham, "Walkaround Time" (1968), baseado no "Grande Vidro" de Marcel Duchamp. Fotografia de James Klosty. "So beautiful..."

18 novembro 2005

Os irmãos Duchamp

Os três irmãos, da esquerda para a direita: (Henri Robert) Marcel Duchamp (1887–1968), Jacques Villon (1875-1963) e Raymond Duchamp-Villon (1876-1918) no jardim do estúdio de Jacques Villon em Puteaux, França, em 1914. Participaram os três no Armory Show em Nova Iorque, 1913.

A irmã Suzanne Duchamp, em "Jeune Fille Vue de Dos", 1906, Jacques Villon (Gaston Duchamp).

Marcel Duchamp, "Jeune Homme et Jeune Fille dans le Printemps", 1911, óleo sobre tela.

"Schwarz advances his notion that Duchamp harbored an unconscious incestuous desire for his younger sister, Suzanne. The only evidence he presents in support of this theory is Duchamp's work, particularly the painting Young Man and Girl in Spring (1911), which the artist gave to his sister as a wedding present that year (and which later formed part of Schwarz's private collection of works by Duchamp)", Francis M. Naumann, "Art in America", Jan. 1998.

"Baudelaire", bronze, 1911, Raymond Duchamp-Villon.

"The Horse", 1914, Raymond Duchamp-Villon.

"Le potin", 1905, Jacques Villon (Gaston Duchamp).

"La table à manger", Jacques Villon (Gaston Duchamp), 1912.

Gravura de Jacques Villon, 1921, representando a escultura "Baudelaire" do irmão Raymond Duchamp-Villon de 1911.

"La Mariée", 1912, Marcel Duchamp.

"Broken and Restored Multiplication", 1918-19, óleo e papel prateado sobre tela, Suzanne Duchamp-Crotti.

01 novembro 2005

Möbius sTRIP


Jean Giraud (8/5/1938) ou Gir ou Moebius. Autor da história e responsável pelo conceito visual da primeira longa-metragem de animação 3D chinesa, "Thru the Moebius Strip", projecto de 20 milhões de dólares da IDMT, pequena produtora da cidade de Shenzen: após 5 anos e 400 animadores, está a chegar a um cinema perto de si - ou distante...


Faixa de Möbius de August Ferdinand Möbius (1790 - 1868), matemático alemão. Ao contrário de uma fita em que os dois extremos fossem unidos sem a torsão característica da faixa de Möbius, esta tem um único lado, o que se pode verificar fazendo um dedo viajar por toda a sua superfície: os dois lados aparentes são um só.


M.C. Escher, "Möbius Strip 2", 1963. Formigas vermelhas percorrendo uma faixa contínua com o formato do número oito. Acompanhando o percurso das formigas percebe-se que elas estão sempre do mesmo lado da faixa: simplesmente não tem avesso.

Garrafa de Klein (1882).
Felix Klein (1849 - 1925), outro matemático alemão, inventou um equivalente da faixa de Möbius que, em vez de abolir frente e verso, elimina a oposição interior/exterior.

"A mathematician named Klein
Thought the Möbius band was divine.
Said he: "If you glue
The edges of two,
You'll get a weird bottle like mine."

A geometria impossível (sigam a trave horizontal, junto aos joelhos da menina) da cama duchampiana em "Apolinère Enameled" (1916/17) leva-nos das complexidades da ciência, outra vez, para a arte.

12 outubro 2005

Copias e Coincidencias


A recente exposição (de 8 de Setembro até 2 de Outubro) "COCOS. Copias y coincidencias. En defensa de la innovación en el diseño”, no Museu da Ilustração de Valencia, denunciou o plágio criativo e analisou as fronteiras entre cópia e coincidência mostrando vários exemplos que vão desde a cópia ilícita até ao acto meramente fortuito de haver coincidência de uma ideia ou de uma forma.

Protagonista de histórias de cópias e coincidências é sem dúvida Damien Hirst.
Hirst e as suas instalações de medicamentos, os seus animais conservados em formol (tal como no Teatro Anatómico de um post que já lá vai - por coincidência...), as suas borboletas ou a apropriação de um brinquedo da Humbrol, transportado para o bronze, numa escala cinco vezes maior, e apresentado sem qualquer referência ao fabricante de brinquedos, mas mantendo as cores com que fora comercializado.
Brinquedo monumentalizado e nobilitado pela escala e pelo bronze, adquirido pelo galerista Charles Saatchi por cerca de um milhão de libras – para indignação daqueles que não viram na peça senão uma “cópia exacta” de um velho brinquedo - um simples plágio, portanto.

E foi o mesmo Damien Hirst, que afirmou à BBC que os ataques do 11 de Setembro foram obras de arte “visualmente poderosas” e que os seus perpetradores "deviam ser felicitados”. "Tem de se lhes dar crédito, a algum nível", disse ele dos terroristas, "porque eles conseguiram algo que ninguém pensara ser possível”. Mais tarde, iria afastar o rabiosque da proverbial seringa, sublinhando: “I value human life”.
Entretanto, enquanto Hirst elogiava a Al Qaeda, uma artista neozelandesa, Gail Haffern , dizia à “Auckland Art Press” que a destruição do World Trade Center, embora ocupado por pessoas, foi “maravilhosa… porque foi uma ideia nova”. Juntavam-se, assim, ambos, ao músico alemão, Karlheinz Stockhausen , que qualificara os atentados como “a maior obra de arte de sempre” – embora com posteriores explicações.

Estamos a entrar, agora, nas coincidências. Sem sequer se conhecerem, Michael Luther e Damien Hirst, pintaram quadros bastante semelhantes inspirados numa mesma fotografia de jornal que ilustrava uma operação de resgate de iraquianos feridos na sequência de um ataque terrorista no Iraque. Dois pintores, duas nacionalidades, mas certamente uma série de afinidades culturais que os levaram a esse resultado. Lembro-me de Roland Barthes: ainda haverá autores?

Charles Saatchi, ligado à celebrização de Damien Hirst, foi o comprador, como vimos, do gigantizado brinquedo anatómico do artista britânico. Nasceu no Iraque, filho de judeus iraquianos que emigraram de Bagdade para o Reino Unido.

São ténues as fronteiras entre apropriações legitimas, cópias e coincidências.
Da cópia ilícita direi apenas o que, de um modo geral, resulta da legislação em vigor em Portugal, ou seja, não basta a reprodução não autorizada da obra ou da prestação, é também necessário que o autor da reprodução a apresente como sua.

Em 1913, Marcel Duchamp concebia os seus primeiros "ready made", dos quais a imagem mais conhecida hoje em dia é, talvez, a "assemblage" Roda de Bicicleta. Quatro anos mais tarde, expunha em Nova Iorque o primeiro “ready made” a conseguir notoriedade: um urinol assinado e datado, a que foi dado o título “Fountain”. Inaugurava o tempo em que a escolha dos objectos, é, por si só, um acto de criação artística independente da execução material da obra. Qualquer objecto se pode tornar arte.

Longe vão as apropriações heróicas – e ingénuas. Nos anos 90, Claudia Schiffer opôs-se a que o artista pop Mel Ramos, seguindo uma prática de três décadas, a pintasse nua dentro de um hot dog ou de um copo de vermute. Um tribunal de Hamburgo deu razão à top-model e ordenou a retirada dos quadros de uma galeria de arte por os considerar ofensivos e por atentarem contra a vida privada da mediática alemã, proibindo também a sua reprodução em catálogo.

Jeff Koons, para utilizar imagens, objectos e logotipos propriedade das grandes empresas tem de recorrer à sua anterior experiência profissional como corretor para, de fato e gravata, negociar as condições da apropriação artística com Hoovers, Martinis ou Martells. A apropriação inversa acontece com uma publicidade cada vez mais “arte” numa cultura cada vez mais “esteticizada”. Uma campanha da Benetton utiliza o "look" Koons, vendendo umas quantas camisolas sob o pretexto da luta contra a SIDA.

Os inimigos destas estratégias artísticas enraizadas em Duchamp e no movimento Dada, começam a recorrer a elas para as ridicularizarem, esvaziando a importância do escândalo, única força que nessas práticas conseguem descortinar: é então que, num ataque aos artistas e às empresas, “Benetton” se torna “Penetton”, não só pelo trocadilho como para evitar problemas legais.

“De quien no quiere imitar a nadie, no sale nada”, apregoava Dalí – e Burroughs, por coincidência, desfazia na coincidência:
“In the magical universe there are no coincidences and there are no accidents. Nothing happens unless someone wills it to happen. The dogma of science is that the will cannot possibly affect external forces, and I think that's just ridiculous. It's as bad as the church. My viewpoint is the exact contrary of the scientific viewpoint. I believe that if you run into somebody in the street it's for a reason. Among primitive people they say if someone was bitten by a snake he was murdered. I believe that”. Receptáculos de magia.