01 novembro 2005

Möbius sTRIP


Jean Giraud (8/5/1938) ou Gir ou Moebius. Autor da história e responsável pelo conceito visual da primeira longa-metragem de animação 3D chinesa, "Thru the Moebius Strip", projecto de 20 milhões de dólares da IDMT, pequena produtora da cidade de Shenzen: após 5 anos e 400 animadores, está a chegar a um cinema perto de si - ou distante...


Faixa de Möbius de August Ferdinand Möbius (1790 - 1868), matemático alemão. Ao contrário de uma fita em que os dois extremos fossem unidos sem a torsão característica da faixa de Möbius, esta tem um único lado, o que se pode verificar fazendo um dedo viajar por toda a sua superfície: os dois lados aparentes são um só.


M.C. Escher, "Möbius Strip 2", 1963. Formigas vermelhas percorrendo uma faixa contínua com o formato do número oito. Acompanhando o percurso das formigas percebe-se que elas estão sempre do mesmo lado da faixa: simplesmente não tem avesso.

Garrafa de Klein (1882).
Felix Klein (1849 - 1925), outro matemático alemão, inventou um equivalente da faixa de Möbius que, em vez de abolir frente e verso, elimina a oposição interior/exterior.

"A mathematician named Klein
Thought the Möbius band was divine.
Said he: "If you glue
The edges of two,
You'll get a weird bottle like mine."

A geometria impossível (sigam a trave horizontal, junto aos joelhos da menina) da cama duchampiana em "Apolinère Enameled" (1916/17) leva-nos das complexidades da ciência, outra vez, para a arte.

12 comentários:

Rudolfo disse...

Olá Merdinhas:
Das piores coisas que aconteceram à arte (Ocidental) foi quando os pintores começaram a dominar as regras da perspectiva, quando conseguiram pôr o incauto observador de boca aberta e a exclamar: "está igualzinho!" A partir daí quanto mais parecido melhor. Estava tudo estragado... e até hoje, mesmo depois do aparecimento da fotografia. Felizmente apareceram alguns a chamar a atenção, que a pintura é bidimensional e não passa tudo de uma grande ilusão. Viva Duchamp e quem o apoiar.
R

Jazzie disse...

Faixa de Moebius a que Lacan chamava «Oito interior», a tal superfície na qual as noções de lado direito e avesso não existem. Um anel infinito. Muita tinta correu à volta de uma tira retorcida. Ovos de colombo.

Anónimo disse...

Mais um ....The Moebius trip
Chorégraphie de Gilles Jobin (2000). Film de Vincent Pluss (2002).
Projection, en présence de Gilles Jobin. Sa dernière création Under Construction est programmée au Théâtre de la Ville du 12 au 16 novembre 2002. Clive Jenkins, compositeur, collaborateur de Franz Treichler, leader du groupe The Young Gods, la (re)sonorisera en live (sous réserve).
"Ici, pas de projection, d'élan, de rupture, mais une composition qui travaille sur la qualité de la matière corporelle avec une logique cyclique. Habillage, déshabillage, enchevêtrements de corps, colonnes sans fin, immobilité, marche à quatre pattes, la pièce de Gilles Jobin joue avec différents aspects de la réversibilité." I. Filiberti

Programmation / intervenant(s) :
Philosophie de la Ritournelle: Lecture/performance de Christophe Fiat - Infinite Film, boucle vidéo de Valéry Grancher - Dans le décor avec Elie During - Un sociologue sur le Danceflorr avec Antoine Hennion - The Moebius Strip, chorégraphie de Gilles Jobin (2000) Film de Vincent Pluss (2002) projection en présence du chorégraphe.

Anónimo disse...

Se não viram aconselho........e se de repente, em Buenos Aires, uma carruagem de metro desaparecesse misteriosamente com alguns passageiros, no labirinto de túneis e de linhas do metropolitano de Buenos Aires. Talvez numa faixa de Moebius....

Título Original: Moebius
Título Português: Moebius
Realizador: Gustavo Mosquera
Com: Guillermo Angelelli, Roberto Carnaghi, Annabella Levy, Jorge Petraglia
Origem: Argentina
Sinopse: Combinação bizarra de mistério, misticismo e ficção científica. (in Programa do Fantasporto 2002)

Sincera Mente Ocupada

coolme disse...

Façam um furinho na faixa de Moebius ....não é com isso que acaba a unilateralidade da banda?
Percebo pouco do assunto mas diverte-me.

Anónimo disse...

Então quando vem esse filme chinês?
Mal sabia esse math man o que o esperava. Aliás, parece que os matemáticos e afins medem pouco o alcance que tem o que descobrem. Com uma simples fitinha...olha aí no que tem dado..

Anónimo disse...

As someone said, Duchamp made the following alterations to this advertisement:

1. In order to make this piece a homage to his friend Guillaume Apollinaire, the artist changed the large white block letters of the title from "Sapolin [or Ripolin for argument's sake] Enamel" to "Apolinere Enameled." He cleverly accomplished this by blocking out certain letters and adding others. And so, this piece illustrates Duchamp's linguistic experiments with French and English during his first sojourn to the United States (Schwarz 194). It seems very Duchampian that in an interview the artist once allegedly admitted that in fact he wasn't all that close with Apollinaire.


2. Duchamp also broke up the manufacturer's name and city, originally reading "Gerstendorfer Bros. New York, U.S.A.," into a series of nonsensical disconnected words: "Any act red by her ten or epergne, New York, U.S.A."


3. Aside from his addition of a signature in the bottom left, Duchamp added a mirror reflection of the young girl's hair in the mirror above the chest of drawers. Many interpret this intentional addition of hair to the image as having sexual connotations.


The subject matter of this piece is very erotic overall. The central image of the bed is a classic symbol of sexual intercourse. Ramirez also notes that the girl painting the bedpost has overtly sexual connotations in its suggestion of a female caressing a male phallus.

Varnedoe links this Readymade with the later Readymade Belle Haleine, noting that Apolinere Enameled's idea of the "private advertisement" later yielded Duchamp's own "house brand" Belle Haleine. Mink notes the pieces connection with yet another Readymade, In Advance of the Broken Arm, explaining that when "Apolinere" is pronounced with an American accent, it sounds like "A pole in air".
CM

BlogProwler disse...

A fita de Möbius, esse silogismo geométrico, tem sido, sobretudo, uma fecunda "analogia". Gosto desta, cruzando topologia, cinema e teoria crítica, Möbius, Lacan e David Lynch - o trecho diz respeito a "Lost Highway":

"Alice, like Renee, is leading a double life. Being a member of the porno underworld, Alice, in classic film- noir-femme-fatale fashion, tempts Pete to commit betrayal and murder until, finally, a strange encounter at a cabin in the desert connects the movie's two story strands full circle, or, to be more precise, full Moebius Strip: Pete disappears, Fred re-surfaces again", Bernd Herzogenrath, num interessante artigo da excelente "Other Voices" (http://www.othervoices.org/1.3/bh/highway.html).

João Castro disse...

Percebe-se bem o que é uma dimensão... e depois de ler uns textos achei que este resumo faz sentido aqui...
Um espaço bidimensional precisa de dois números para cada ponto. Coordenada x e y. A superfície de uma esfera também é bidimensional; por exemplo, pontos na Terra são descritos através de longitude e latitude. No entanto, o nosso espaço é tridimensional, o que significa que podemos mover –nos em três eixos, Norte-Sul, Leste-oeste e cima-baixo. Descrever pontos no espaço requer três coordenadas: para localizar um avião, você precisa de longitude e latitude, e da altura.
E a quarta dimensão? Matematicamente, não é nenhum problema definir o espaço quadridimensional, ou "hiperespaço". É apenas um espaço abstracto que precisa de quatro coordenadas para descrever cada um de seus pontos, o que funciona muito bem para cálculos mas que é complicado visualisar...
Você pode imaginar um ser bidimensional como uma mancha de tinta a mover-se num papel. Frequentemente é mais fácil imaginá-lo achatado e à superfície de uma mesa. Tente pôr uma moeda dentro de um elástico... Não pode ser feito. No entanto, usando a terceira dimensão pode levantar uma parte do elástico para cima da mesa, deslizá-lo para cima da moeda e então devolvê-la ao estado anterior. O ser bidimensional veria parte do elástico misteriosamente desaparecer e então reaparecer no outro lado da moeda.

Já Mobius com a sua faixa percebeu que a quarta dimensão pode transformar um objecto na sua própria imagem espelho. Para entender, nós voltamos à analogia bidimensional. Pense num símbolo que fica “trocado” ao espelho, como um N, e recorte-o em papel. Se o puser numa mesa, descobre que não há nenhum modo de virar o N ao contrário só pelo deslizar do papel pela mesa. Mas se você admitir uma terceira dimensão, pode simplesmente erguer o N, virá-lo e colocá-lo novamente na mesa. A versão quadridimensional funciona do mesmo modo. Você poderia usar a quarta dimensão, por exemplo, para transformar um sapato do pé direito num sapato do pé esquerdo.

H. G. Wells usou o fenômeno de espelhamento na "A História de Plattner" que é sobre um homem que acidentalmente se lança numa distância curta na quarta dimensão. O homem encontra-se num mundo esverdeado povoado por espíritos de humanos mortos, e pode ver imagens lânguidas do reino terrestre sobrepostas nesta sua nova realidade. Uma semana depois ele consegue voltar para casa, mas tornou-se imagem espelho, como se vê por fotografias, escrita e pelo seu coração, que agora bate do lado direito do peito.

Uma das ideias instrumentais no desenvolvimento do Cubismo é a de que a quarta dimensão poderia fornecer um ponto de vista para observar as formas não distorcidas de objectos. ... imagine uma criatura bidimensional a olhar para um quadrado. Já que a criatura está no mesmo plano que o quadrado, pode ver no máximo apenas uma ou duas extremidades do quadrado, e ver do canto em diante, a medida de ângulo seria difícil de determinar. Ela teria que deduzir a forma como sendo um quadrado. ... um homem com ângulos irregulares poderia disfarçar o seu status de classe mais baixa escondendo um lado de seu corpo. No mundo tridimensional você pode olhar para um cubo de lado, mas só sabe é um cubo quando o vira nas mãos ou caminha à volta dele. Para superar isto, os Cubistas tentaram retratar todos os lados de um objecto de uma só vez, como se vistos da quarta dimensão.

Dois bons exemplos desta técnica, um por Picasso, que nunca reconheceu explicitamente a influência da quarta dimensão, e um por Jean Metzinger, que claramente a declarou como meta.
Outro exemplo de cubismo quadridimensional: veja o "Nu Descendo uma Escadaria, N.2" de Marcel Duchamp. Há uma figura robótica mostrada em várias fases de descida, como se nós estivéssemos a ver múltiplas exposições. Neste quadro, Duchamp (que segundo dizem era o maior defensor da quarta dimensão no mundo da arte) considera a quarta dimensão como tempo.
Esta ideia foi um dos triunfos da teoria de Einstein da relatividade, mas os documentos da relatividade foram publicados em 1916, quatro anos depois do "Nu Descendo"! Duchamp, antecipou- se à física moderna, seguindo a vanguarda de cientistas que, desde a metade do século XIX, usaram o tempo para compreender o hiperespaço.

Agarre num objecto quadridimensional e corte-o em três fatias dimensionais. Duchamp diz:
A sombra lançada por uma figura quadridimensional em nosso espaço é uma sombra tridimensional. . . por analogia com o método pelo qual os arquitectos representam o plano de cada andar de uma casa, uma figura quadridimensional pode ser representada (em cada um de seus andares) através de secções tridimensionais. Estas secções diferentes serão ligadas umas às outras pela quarta dimensão.


Arte e Ciência. Tudo é Filosofia!

Anónimo disse...

E o que dizer da dissolução das dicotomias metafísicas (como metafórico/literal, verdade/mentira) ?
Essa dissolução não pode ser tomada como a proposição de uma nova verdade (uma verdade de nível superior, uma metaverdade) — “não temos sequer o direito de lançar à metafísica ‘um olhar de superioridade’”, advertem François Warin e Philippe Cardinali no seu comentário a um texto nietzschiano .
Segundo esses autores, “a segunda consciência”, a consciência daquilo que denominamos próprio é resultado também de uma deslocação, “não escapa à estreiteza da perspectiva para se colocar no ponto de vista sem ponto de vista da totalidade” — “como sobre uma faixa de Möbius, todas as divisões clássicas entre dentro e fora, entre verdade e ilusão são como que misturadas e deve-se, sem jamais encontrar repouso, girar e girar novamente de um a outro ponto de vista, arriscando, assim, a auto-referência” (NIETZSCHE)
Como aponta Soyland, no seu livro Psychology as Metaphor (1994), essa questão da auto-referência e da circularidade envolvendo os discursos sobre a metáfora constitui um ponto central em que muito insiste Jacques Derrida — qualquer esforço em torno da definição de metáfora implicaria inevitavelmente outras metáforas: a metáfora estaria menos no texto filosófico que a quer definir do que o texto na metáfora.
Triste Mente ocupada

BlogProwler disse...

Obrigado, João: pela minha parte, enquanto frequentador deste blog, agradeço-lhe a quantidade de pertinente informação que partilhou.

Quanto à 4° dimensão parece-me importante esclarecer duas ideias:

1) antes de Einstein tornar pública a Teoria da Relatividade a tetradimensionalidade era já uma ideia muito divulgada, até nos media (até dentro de uma cultura de "Ficção Científica"). Os artistas usaram-na para legitimarem as novidades (do Cubismo ao Futurismo, do Suprematismo ao Construtivismo ou a Duchamp...), mas nunca passaram por Einstein.

2) a interpretação tetradimensional do Cubismo é algo tardia (Gleizes e Metzinger, "Du Cubisme", 1912) e nada teve a ver com a sua génese que se deverá procurar na própria cultura pictórica "post-impressionista", "lida" de forma empírica no trabalho prático dos pintores.

Até breve.
BlogProwler

Anónimo disse...

Tipe about Strip in a trip ip ip.
Streap all that strips is a trip op op.
Comic strip, Mobius strip.My trip.
J.