23 outubro 2005

"Or is that your way to hide a broken heart?"

O original: Leonardo da Vinci, "Retrato de Lisa Gherardini, mulher de Francesco del Giocondo", entre 1503-06.


O ajuste de contas anti-humanista: Kasimir Malevich, "Eclipse Parcial. Composição com Mona Lisa", 1914: por baixo da Gioconda lê-se "aluga-se apartamento". Um vazio, portanto: apagar para dar lugar ao novo. Um nihilismo construtivo bem à russa.


A apropriação de Marcel Duchamp, "L.H.O.O.Q.", 1919: o autor visível na sua obra, as questões da sexualidade e a irreverência perante um ícone do academismo. Rapto ou roubo, em imagem, da célebre figura. Lido foneticamente, o falso acrónimo do capitalismo empresarial e da burocracia moderna, "L.H.O.O.Q.", resulta em: "elle a chaud au cul", "ela tem fogo no cú".


"L.H.O.O.Q. - Rasée", 1965: Duchamp em nova apropriação, tardia, em muito equívoca devolução às origens: a "L.H.O.O.Q." "original" tornou-se tão célebre que o quadro do Louvre parece a sua cópia de "look barbeado"?


A apropriação crítica da apropriação: Salvador Dalí, "Auto-retrato Como Mona Lisa", 1954. Com bigode à Dali, torna óbvio o carácter auto-retratístico já esboçado por Duchamp - e parodia o notório gosto por dinheiro de que os surrealistas acusavam o autor.


Fernand Léger, "Mona Lisa com Chaves", 1930: uma visão utópica do futuro que não oblitera a tradição?


A imagem separa-se do seu suporte e serve a mercadoria, circulando no mundo da cultura de massas. Da arte para fora da arte: para o consumo.


Do consumo mediático das massas para a arte: reapropriação apenas como imagem - mas em elevação a pop star: o quadro quinhetentista visitava os EUA, por deferência de Malraux para com Jackie Kennedy, Bouvier em solteira. Andy Warhol, "Double Mona Lisa", 1963.


Ultrapassando a reformulação publicitária do "Belo" clássico. Botero com a sua "Mona Lisa" enquanto jovem, de 1977.


Pensando criticamente a origem "étnica" e a sexualidade. Mais exactamente a maternidade. Morimura Yasumasa, "Monna Lisa in Pregnancy", da série "Self Portrait as Art History", 1998.


Jean Michel Basquiat, "Mona Lisa", 1983: "Every line means something”.


Museu do Louvre, Paris.

39 comentários:

Anónimo disse...

Tenho que ver bem isto! Boa.

Anónimo disse...

Olá Merditas.
Tem a certeza que a Mona Lisa do Duchamp é mesmo dele? Não será a do Picabia. Eles "copiavam-se" um ao outro, e há uma pequena confusão com a sua autoria. Uma tem barbicha e a outra não. Quando digo copiar, estou a falar em "discutir ideias", "admirarem-se mutuamente".
Gostosamente
Mary D.

coolme disse...

Tanta mona Merdinhas.Eles e elas. Gordas e magras.Barbeadas.Desfiguradas. Todas engraçadas.

Anónimo disse...

http://www.drcomenge.com/apothia/default.html
Para quem quiser brincar com a mona da Mona. Podem por-lhe botox, colagénio etc. Super POP!!!!

Anónimo disse...

Não sei se leram o livro de Dan Brown . Um livro que está na moda, com tudo o isso tem de bom e de mau. Vejam lá isto a propósito de Mona Lisa de Leonardo....
Leonardo teria deixado algumas pistas no quadro para que interpretemos o seu sorrisoenigmatico.
Mona Lisa é muito maior vista da esquerda para a direita do que da direita para esquerda. Se observarmos a paisagem ao fundo do quadro é completamente irregular. Parece de que do lado direito da mulher há uma paisagem diferente da do lado esquerdo. Isso causa esse efeito. O propósito de valorizar o lado esquerdo seria fazer uma alusão ao “sagrado feminino”. O lado esquerdo antigamente era considerado o feminino, e o direito o masculino. Estranhamente hoje em dia esquerdo é sinónimo de algo mau, e direito é sinónimo de justeza, da lei, do certo, do correcto.
O nome do quadro daria a pista mais relevante em relação ao mistério que envolve o quadro: Mona seria o anagrama de Amon, o deus da fertilidade masculina e Lisa, na verdade é Ísis, a deusa egípcia da fertilidade, cujo pictograma antigo era L’Isa. Isso significaria que a Mona Lisa é a união do masculino com o feminino, um ser andrógino, e por isso estranho.
Como que afastando essa última teoria, Leonardo nunca deu nome ao quadro, nem o mencionou em nenhum de seus cadernos, embora não haja dúvidas que a obra seja dele. O retrato é identificado como Mona Lisa pelo primeiro biógrafo de Leonardo, Giorgio Visari, uns 30 anos depois da morte de Leonardo.
Sincera Mente ocupada

Jazzie disse...

Então e Leonardo não terá copiado A Esfinge? Cabeça de homem (alguns dizem ser de uma mulher) e corpo de um leão. Tem 20 metro de altura e 73.5 metros de comprimento. A sua expressão facial não lembra centenas de Mona Lisas?

Anónimo disse...

Lá começa a confusão de identidades!

Anónimo disse...

Merdinhas

Ainda em relação ao seu comentário no post anterior, apoio a sua posição de não apagar comentários, sobretudo porque os comentários que apesar das várias ˜assinaturas˜,são produzidos pela mesma pessoa, são um contributo inestimável para o entendimento da imobilidade do nosso país.

obrigado

Anónimo disse...

Merdinhas
Apoio também a sua decisão de não apagar nenhum dos comentários de certos - talvez o(s) mesmo(s)- comentador(es), que se refugiam por de trás de várias assinaturas, mas também os outros comentários, em que se percebe claramente, que são produzidos por si próprio(a), autor(a) do blog, para gerar ainda mais comentários ou na tentativa de erradicar os mais resilentes. Para além de tudo isto ser, como já se disse aqui, um contributo inestimável para o entendimento da imobilidade do nosso país, é simultaneamente revelador de uma espécie de bigbloguisse febril. Catita. Super blog.

Anónimo disse...

Eu gostaria de pensar que o autor ou autora do blog não apaga comentários e que só os faz como Merdinhas. De resto a identidade aqui neste blog é secundária, basta ver que verdadeiros nomes de comentadores se contam a dedo e de uma só mão. Merdinhas interveio e disse que não apaga comentários. Subscrevo inteiramente que assim seja. Afinal será que alguém sabe quem é quem ou o que é que é de quem a não ser o próprio? Este comentário, por exemplo é de alguém que nunca tinha escrito nada embora já veja este Blog há algum tempo. . Boa Merdinhas!
Bota sentença

Anónimo disse...

Gostei do post. E havia monas que não conhecia. Ignorância, mas passei a conhecer.
Abraço

Jazzie disse...

Li uma coisa que achei curiosa. Quando a Mona Lisa foi roubada, filas enormes de pessoas ficavam a olhar para o espaço do museu onde ela tinha estado. Como se a sua ausência também pudesse ser arte.

BlogProwler disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
BlogProwler disse...

Jazzie, gostei da ideia de que "a sua ausência [da Mona Lisa] também pudesse ser arte". Mas, acrescento: a sua ausência no museu - o que implica, entre outras coisas, que o seu lugar é no museu e naquele museu. Daqui decorrem coisas que me parecem interessantes: a especificidade daquele museu (o do Louvre) tem, nas circunstâncias do roubo, uma componente nacionalista (o motivo do roubo foi devolver o quadro à sua "pátria" "italiana") que reclama para França, para Paris, então capital artística, o famoso ícone do Renascimento. O museu, em geral, como instituição, já remete para o academismo e as estratégias institucionais que também geram arte: aí se enraizam as imagens iconoclastas de Malevich e Duchamp. E, no caso de Malevich, até me parece que há um desejo claro de apagamento (de tornar ausente) o emblema do academismo, não só pela legenda que Merdinhas refere no post, mas também pelos "X's" que se inscrevem em dois locais que me parecem muito relevantes: o rosto, recusando a tradição do retrato, e o peito, pondo de lado a tradição académica do nú. Retrato e Nú eram as duas principais formas de lidar com o corpo humano.
Também as relações entre o que está presente e o que está ausente me parecem centrais para a compreensão da arte ocidental. Em redução extrema do problema: se Masaccio (Florença, séc. XV) pinta um Cristo na cruz é, precisamente, porque essa cena nos é irremedialvelmente ausente - torna presente em imagem aquilo que o não pode ser de outra maneira. A "Fountain" de Duchamp não torna uma imagem no substituto de um objecto: torna presente o próprio objecto - mas tornando obrigatoriamente ausente a sua função "original" de urinol e abrindo portas para significados presos ao objecto, mas ausentes também. Nos anos de 1960, um artista francês, Yves Klein, enviou convites para a sua nova exposição: os convidados foram confrontados com uma sala vazia - as obras tinham sido retiradas, em vez de colocadas. Ausentes.
(Este comentário é a reprodução quase exacta de um anterior que apaguei para lhe introduzir pequenas modificações: daí a informação "this post has been removed by the author").

Anónimo disse...

Ainda bem que Blogprowler diz que foi ele quem retirou o comentário (como é que conseguiu? já me apeteceu tirar um meu). Estava a ver que tinha sido merdinhas. Fez-me lembrar aquela vez que Marcel enviou a "Fountain", sob o pseudónimo de R.Mutt, para uma exposição da Sociedade dos Independentes, onde uma das regras principais, era não se poder recusar nenhuma obra fosse por que razão fosse. Situação embaraçosa. Aceitaram-na (que remédio!) mas nem a incluiram no catálogo (esquecimento) nem a expuseram em sítio visível. A relação com este blog? Merdinhas diz que há uma regra d'oiro da casa, que é não retirar comentários sejam eles quais forem. Pergunto: Qual será o comentário que vai obrigar merdinhas a contradizer-se?
Mary (D)

Anónimo disse...

O Merdinhas disse que não apagava comentários. E os comentadores podem apagar?

BlogProwler disse...

Ao comentar, existem três opções: fazê-lo como "Blogger", como "Other" ou como "Anonymous". Ao optar por "Blogger" assume-se um personagem "registado" no "Blogger" (com password) e ganha-se a possibilidade de apagar os comentários desse personagem (e só desse personagem) a qualquer altura. A resposta é, pois: sim, os comentadores podem apagar os seus próprios comentários. É uma ferramenta que não nos é oferecida pelo criador do "blog", mas pelo prestador de serviços (neste caso o "Blogger").

Anónimo disse...

Or is this your way to hide a broken
comment?

BlogProwler disse...

É uma ausência para ilustrar a dita...

Anónimo disse...

A pergunta não é: como é que tecnicamente se pode apagar um comentário. Isso não interessa nada, até porque a maior parte das pessoas são anónimas (não é o meu caso) e por isso escrevem as maiores bujardas sem a mínima consequência. Erros ortográficos, de sintaxe, concordâncias, não interessa. A questão é: merdinhas vai aceitar todos os comentários sem restrições de espécie nenhuma? Então o desafio é quem consegue comentar de modo a que merdinhas pura e simplesmente tenha que proibir. Tal como o júri, do qual Marcel fazia parte, descriminou a Fonte.
Cumprimentos
Mary (D)

coolme disse...

Não sabia que era crime dar uma mijadinha.

Arti Farty disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Arti Farty disse...

What about my instalation? My art could have been famous by now. But some critics (always the same or possibly Merdinhas) tend to be quite nasty with it, wanting it to be vanished from any remembrance in this the arty fartist world.
Je suis un fartist ! Vive le fart pure, dure et libre !
Arti Farty

Anónimo disse...

Mr Arti farty
Are you talking about art or heart?
There are treatment options for both cases. Why don't you show us your art and heart?

Sincera mente ocupada

Anónimo disse...

O resultado da arte não é a obra, mas a liberdade. (Duchamp)

Duchamp adicted

Anónimo disse...

Não é a imagem que define o seu valor, mas o uso que se faz dela.
...
O verdadeiro lugar onde uma obra existe não é nas telas ou nas paredes de uma sala, mas na mente e no coração da pessoa que a viu. É aí que todas as imagens vivem. (Bill Viola)
M.S.

cugest disse...

Isso será bom ou mau para os invisuais?

cugest disse...

Esse viola tá-te a dar música.

freemind disse...

Merdinhas... tens um blog extra comentado...
Mas a bem da verdade, alguns... que merdinhas de comentários tb... eheh

BlogProwler disse...

Cara Mary (D),

Acho de uma arrogância incompreensível que pense estar na posição de dizer o que interessa ou não interessa ("nada"!): se não estivesse tão absorvida nos seus problemas teria reparado que um comentador que se seguiu a si perguntava "e os comentadores podem apagar?" - como as questões morais me não dizem respeito, respondi à possibilidade técnica, uma vez que creio ter sido o único a, até ontem, ter apagado um comentário.
Quanto à obsessão pela identidade, despropositada no meio que estamos a habitar, não percebo porque se apresenta como não sendo anónima: Mary é o seu nome e "D" a primeira letra do apelido e os parêntesis fazem parte dele? Ao comentar optou pelo anonimato e, por isso, não tem a possibilidade de apagar os seus comentários, mesmo que queira. Sabe o que é que me entedia e me faz responder-lhe? É esta busca constante de aristocracias (a ortografia, a identidade, o apagar ou não apagar...). A arte sofre do mesmo: é violentamente uma forma de, socialmente, identificar e excluir os outros. O mais importante em Duchamp, do meu ponto de vista, foi demonstrar que a arte podia ser outra coisa - para os Dada será convívio de diferenças e divergências, em que a única valoração é individual e subjectiva. O "Bom Gosto" só serve para duas coisas: para excluir os que não o partilham (e legitimando a exclusão com a "maldade" do gosto, dando-lhe uma espécie de profundidade ontológica) e para colocar uma etiqueta com o preço. Não me interessa nem uma nem outra das funções.

Cumprimentos,
Blog (P)

Arti Farty disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Arti Farty disse...
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Anónimo disse...

Isto é tudo gente muito erudita...não tenho pedalada para isto.
ahahaha acho que a merdinhas me descobriu agora...

Anónimo disse...

( Arrogante, obecado e entediador neste forum
= BP )

Anónimo disse...

Estes comentários servem para comentar o conteúdo do blog e não para comentar o comentário. O meu comentário anterior não era dirigido ao comentário do blogprowler. Não faça jus ao seu nome. O meu comentário anterior diz respeito a uma só das várias questões que Marcel (D) enfatizou e que tiveram as maiores consequências no universo artístico: de que falamos quando falamos de obra-de-arte. Pensei, com aquela comparação, que tinha sido claro, mas se calhar, ninguém percebeu. Não faz mal.
A questão da identidade, é claro que fui irónica, apesar de usar o meu nome verdadeiro, mas Marys há muitas e o (D) é uma inicial que não revelo por uma questão de pudor.
Mary

Anónimo disse...

Acho que alguém teve o mau ou bom gosto de insultar o BP que só pode ser o Blog prowler mas com o que ele diz do gosto não lhe pode fazer dierença. Assim como não lhe deve fazer diferença que o achem arrogante, obcecado e entediador. Que às vezes não é. Mas a Mary tem razão comentam-se os comentários em vez do post.
Gostei desta sucessão de Mona Lisas E vejam o link do Basquiat, o do "Every line means something".

Sincera Mente Ocupada (acreditem que não me chamo assim)

Anónimo disse...

A Penny For Your names...

With the Twenty-First century , the lightning speeds available in high-powered computers and Internet connections have created expectations of instant communication between people at any distance. The google translation is very bad and I can hardly understand you. But who cares? Just watching?!?

I R' IAM

Anónimo disse...

= B P (um smiley)

: ) (outro smiley)

Anónimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=YlH9AbR2XFw