10 janeiro 2006

Richard Serra

"And mainly when I was growing up here, the people who were the most influential were jazz musicians. Charles Mingus was here at the time. And I remember when I was about 16 or 17 I went into the Jazz Workshop and had a fake ID, and sat down and had a drink. And they were having a set in the afternoon. And there was a fan on; it was really loud, and Mingus was going through a set and they were recording, and the bartender turned the fan off and Mingus had an apoplectic fit—he just went completely crazy. He jumped over the bar and he practically throttled the guy. And he said, "That fan was one of my instruments." And it made me think, as someone who wanted to be an artist, that you had to pay attention all the time to everything that was going on, because everything was potential use if you could see its potential. I think later John Cage made that more clear to a lot of artists. But I was very, very young at the time and the Beat generation was starting. But I was more interested, not in the Beats, but in the Jazz Workshop here. Blacks were a big, big influence on me when I was growing up in San Francisco."

"E, principalmente quando eu estava a crescer aqui, as pessoas mais influentes eram músicos de jazz.Charles Mingus estava aqui na altura. E lembro-me, tinha eu 16 ou 17 anos, de ir ao Jazz Workshop com um falso BI, de me sentar e de tomar um copo. E eles estavam num "set", à tarde. E havia uma ventoínha ligada; era mesmo muito barulhento e Mingus ia a meio de um "set" e estavam a gravar e o empregado do bar desligou a ventoínha e o Mingus ia tendo um ataque - ficou completamente maluco. Saltou para o bar e praticamente estrangulou o tipo. E ele disse, "Essa ventoínha era um dos meus instrumentos". E isso fez-me pensar, enquanto alguém que queria ser artista, que tens de prestar atenção o tempo todo a tudo o que se está a passar, porque tudo é potencialmente utilizável se tu conseguires ver o seu potencial. Acho que depois o John Cage tornou isso mais claro para todos os artistas. Mas eu era muito, muito, jovem na altura e a Beat generation estava a começar. Mas eu estava mais interessado, não nos Beats, mas no Jazz Workshop daqui. Os negros tiveram uma grande, grande, influência em mim quando eu estava a crescer em S. Francisco".




"The existence of the sculpture, a series of concrete walls called Shift, has become a legend in King Township. 'What I wanted,' Serra wrote, 'was a dialectic between one's perception of the place in totality and one's relation to the field as walked'."
Heather Robertson, "Richard Serra: Shift ", BorderCrossings Magazine, nº 93



Torqued Ellipses 1997 New York

18 comentários:

Anónimo disse...

Bem escolhido Merdinhas. A estória, ao jeito de metáfora, está bem engendrada. Vê lá se consegues arranjar uns desenhos do Serra. Agradecia-te.
Beijo
Clair

Jazzie disse...

Jazz beat e Serra.Gostei.

Anónimo disse...

"Trabalho para descobrir justamente aquilo que não sei. Não quero reciclar aquilo que já conheço" R.Serra
Filho de uma judia-russa e de um operário espanhol , a crescer em S. Francisco...Grande Sierra!

Z.C.

Jazz Manel disse...

O universo do rock está cheio de ventoínhas!...

Anónimo disse...

Com a escultura de Serra pensei na faixa de Möbius strip da qual já falaste. Curiosamente (para mim pelo menos) o link das "torqued ellipses" fala disso mesmo.


Sincera Mente Ocupada

Anónimo disse...

Por acaso já estive dentro de duas destas "torqued ellipses" no Guggenheim de Bilbao. E gramei fazer dentro de uma delas um pequeno grafito pessoal.

Zefiro Constrictor

Naked Lunch disse...

difícil de comentar. muito bom, desconhecia-o por completo. hoje é mesmo dia de beat.

mingus é uma das minhas principais referências no jazz (a par de coltrane, o meu preferido).

abraço

venham lá esses desenhos do serra!

Naked Lunch disse...

aconselho o Abaixo de Cão do Mingus, um livro autobiográfico que revela muito da vida de um músico negro na época (revoltante).

Coolme disse...

Cool para mim. Muito cool.

Pastor disse...

Bom dia, caros bloggers.

Talvez encontrem algum interesse e satisfação (reduzidas, temo bem...) na minha nova obra apropriadora (desta vez não inclui homenagem ao presente blog): Labirinto à Mão.

Com amizade,
Pastor

Siegfried disse...

Planos, linhas, arestas que se desviam da vertical segundo estruturas diferentes para cada peça. O resultado são sensações diferentes, às vezes dramáticas e tensas outras vezes flexiveis e divertidas.
Como no jazz, como na vida.

Anónimo disse...

OoOoOoOoOo Je Jeux,.....Je Jeux
Grande camponesa, grande farfalho!!!

Isto sim, isto é mulher trigueira e tesuda, cheia de tesão!!

Renascer assim é um prazer!!!

PIROCAMINHA ESTÁ DE VOLTA

Anónimo disse...

Pirócaminha

Já vi que de facto está de volta. Aqui bateu no post errado. Mas onde bate é consigo.

Cumprimentos anónimos

ART&TAL disse...

sim senhor grand'a blog

só cá falta maciunas

cage

e outra gente do genero

soda_caustica disse...

muito bem! também gostamos da Vera Mantero, dança bem e é linda e também canta jazz.e do teu post , também gostamos

M.M. disse...

Olá

Ultimamente, onde quer que vá, deparo-me com referências beatnik. Tenho de ler nas entrelinhas...
Jazz e Beat Generation são inseparáveis, não?
Bjs.

P.S. Já conheces o meu novo blog? ;-)

Bafo de amor disse...

Mingus, Beat Generation, São Francisco, R. Serra.
Gostei do set.

Anónimo disse...

Quite emotional.

Johnie Fartpants