26 novembro 2006

Cesariny...



Mário Cesariny de Vasconcelos, 9 de Agosto de 1923 - 26 de Novembro de 2006


Mário de Cesariny, "Figuras de Sopro", 1947



Todos por Um
A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos com certeza

Santos
Mártires
e Heróis

Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.

Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de
recorrer à vala comum

Mário Cesariny



A Perve Galeria , em Lisboa, tem patente, de 2 de Novembro a 20 de Dezembro, a exposição «Cesariny, Cruzeiro Seixas, Francisco José Francisco – e o passeio do cadáver esquisito»...

36 comentários:

Anónimo disse...

Estava a tentar ler sobre isso Também ouvi que morreu. ..

J.

Anónimo disse...

Não conhecia essa autografia/filme de

MIGUEL GONÇALVES MENDES

do primeiro link. Vou tentar comprá-la...
J.

intruso disse...

«a manhã está tão triste...»
o dia também

admiro a sua obra poética,
a sua pintura,

...

holeart disse...

... hoje estou malzinho.

lembras-te da cena do jazigo?

ele sabia que eu nao lhe podia arranjar a nesga porque estava cheio com pedras e olhos dos meus fantasmas sagrados.

Anónimo disse...

todos morrem, até os grandes artistas.

Anónimo disse...

"Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!"


Disse-o a propósito de C. Verde. Podemos repetir pra ele.

Z.C


Fiquei a saber aqui...

Anónimo disse...

Ficamos mais sós nesta luta entre a afirmação e a renúncia!:(

Anónimo disse...

a vida de um poeta é uma coisa rara. a morte de um poeta é uma coisa rara. abraço. (o poema é lindo.) abraço.

Anónimo disse...

autografia

sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

o meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
( antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa )
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente – tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris – já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião – não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais – também, já por cá
passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnifica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha-férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnifico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais
nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu
partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande!


In "Pena Capital"...M.Cesariny


Por causa do filme/documentário do link.

Inês

António Caeiro disse...

Grande Grande Cesariny!

Vera disse...

esta dica sim, posso ver in loco

música/ode/elegia
requiem/sinfonia: termos insuficientes um dos mais belos poemas que li/incorporei

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.

Bandida disse...

diz-se que morreu...


admirável ser.

eternamente Grande!


__________________________

Lis disse...

Um adeus que partilhamos...

PMBC disse...

Não morreu! Não morre!

Jorge P.G. disse...

Boa noite.
Recebi no meu espaço "O Sino da Aldeia" porque avisar é preciso, o poema que lá deixou nos comentários à minha singelíssima homenagem a Cesariny. Obrigado.

Cumpre-nos dizer que Cesariny não morreu como artista. Só como Homem nos deixou.
Curioso o facto de ambos termos escolhido o mesmo poema revelador da sua força e da sua sensibilidade.

Até breve.

jorge g

Anónimo disse...

Acabei de ver o programa na RTP2....
e tu acrescentaste mais fotografias.
J.

intruso disse...

[ tb vi a 2: ]

...

Anónimo disse...

merdinhas,
o poema já me embala. obrigada. abraço.
(adoro a foto em que salta da cama)

Maria disse...

"Manhã triste, pela certa..."

coolme disse...

A fotografia em que salta ...

"Poesia Amor e Liberdade".


A RTP 2...também por aqui se viu.

Naked Lunch disse...

su su su su real

menir disse...

Caro m., um bem haja para ti, Cesariny vive para além do tempo.

intruso disse...

a foto do salto na cama é excelente

............

Anónimo disse...

Eu sabia que podia contar contigo para um post fantástico sobre o Cesariny.
Adoro a tua escolha de fotos.
Um beijo.

purita disse...

fica-se sempre um bocado triste quando morre alguém que se admira!

linhas tortas disse...

Como alguém já disse, existem seres que não morrem nunca.

Viva Cesariny!

A. disse...

Admirável.Genial...e tantas mais palavras que podem definir este grande Poeta.Homem/Coragem.







Imagens incriveis as que escolheste...temos a do fuminho como nossa sintonia.

A. disse...

...não te preocupes M.
Fui eu...tive de pôr os comentarios na ordem certa...foi apenas isso.Desculpa.

holeart disse...

olha... expliquei ontem a minha filha algumas tretas acerca dele. de repente

(foda-se) lembrei-me do pascoais

impossivel nao me lembrar. foi este gajo que me fez apaixonado e fanatico pelo pascoais.

e do mario henrique leiria

quem se lembra? um gajo que comprava uma garrafa de gin de manha e escrevia todo o dia ao som dela. morreu de gin. para quando uma lembrança para ele?

estamos a espera da morte? o mario h. l. já morreu e o pedro oom, o antonio maria lisboa. o caranguejo do ruben a.

este perdeu o emprego em inglaterra porque o salazar achava que quem escrevia um livro assim nao podia ensinar portugues.

estes já morreram

mas a opera sempre fresca e luminosa.

holeart disse...

parabens para m.i.m que tem um blog...

mais ñ digo

Anónimo disse...

holeart,
os parabéns são para m.i.m.? não é o meu aniversário ;-)

Jazz Manel disse...

Três Vivas!!!

holeart disse...

talvez nao MAS... tens bela pose

Anónimo disse...

obrigada, acho.

Frioleiras disse...

Já que falam , tb , em galerias ... de dar uma "espreita" na Arqué Galeria (ao pé da Gulbenkian)... A minha pintora favorita, Marta Resende, qu enasceu no Porto, faz parte do acervo... ESPREITEM (pesquisar no google Arqué Galeria ...)as pinturas dela dão paz às "almas encharcadas"...

@ disse...

eu venho e volto e retorno...
nada que eu possa acrescentar.